O Brasil possui condições para se tornar um mercado global de energia eólica offshore, mas o avanço da indústria depende da regulamentação operacional e da realização de leilões de áreas marítimas. Segundo Marco Wobeto, general manager Brasil e Américas da Mingyang, o país combina potencial de geração gigantesco com recurso eólico competitivo no Nordeste.
Wobeto afirmou que a qualidade dos ventos offshore complementa a produção hidrelétrica, apresentando maior desempenho em períodos de estiagem. Embora a aprovação da legislação em 2025 tenha sido um avanço, o executivo declarou que é preciso sair do ponto legal e entrar no operacional. A regulamentação deve definir regras de mercado, como garantias e leilões, além de estabelecer o leilão de cessão de áreas marítimas, etapa crucial para os estudos de viabilidade.
O desenvolvimento da eólica offshore pode estimular uma nova fase de industrialização no país. A Mingyang declarou disposição para instalar uma fábrica no Brasil, o que incluiria a nacionalização da produção de aerogeradores, pás e torres. O interesse de investidores estrangeiros já é concreto, reunindo mais de 30 grandes empresas na Coalizão Eólica Marinha.
A expansão da fonte energética visa reduzir custos para o consumidor final e apoiar a descarbonização da indústria, além de setores como data centers e hidrogênio verde. Wobeto comparou o Brasil a mercados como China, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos, alertando para a necessidade de acelerar a regulamentação para não ficar para trás.

