O Paço Imperial apresenta a exposição “Micélio, entre o fim e o começo de tudo”, da artista Kyria Oliveira. A mostra, que ocorre de quatro de julho a seis de setembro, reúne esculturas feitas com a técnica da feltragem. As obras exploram o micélio, a rede subterrânea de fungos, como metáfora de conexões e comunicação na natureza.
A exposição, curada por Clara Pignaton, utiliza a lã feltrada em camadas delicadas para criar peças que remetem a ninhos, vísceras e fragmentos de paisagens. A artista descreve o processo manual como um ritual, estabelecendo uma relação íntima entre matéria e corpo nas esculturas moles.
Kyria Oliveira afirma que, assim como a existência humana está no limiar entre vida e morte, ela busca o momento do “entre”. Segundo a artista, o micélio inspira a ideia de que a floresta se protege em locais onde a ação humana falhou, criando um canal de comunicação.
A curadora Clara Pignaton complementa que as formas apresentadas sugerem abrigo e continuidade, mesmo em paisagens afetadas por transformações humanas. A mostra convida o público a refletir sobre uma ecologia política baseada na interdependência e regeneração da vida.

