Cerca de metade das indústrias brasileiras pode rever seus planos de investimento e expansão caso sejam aprovadas mudanças na legislação trabalhista que reduzam a jornada semanal ou proíbam a escala 6×1, aponta a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A sondagem revelou que 46% das empresas não manteriam decisões atuais diante de redução legal da jornada, enquanto 97% seriam afetadas pela medida.
A pesquisa da CNI indica que o impacto potencial é maior entre as pequenas empresas, que demonstram maior probabilidade de abandonar projetos de expansão devido ao aumento de custos. Entre as empresas consultadas, 73% se posicionaram contra a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, e 57% rejeitam a proibição da escala 6×1.
As empresas manifestaram preocupação com os efeitos econômicos das propostas. Segundo a sondagem, 85% acreditam que as mudanças gerarão aumento de custos com empregados, e 82% esperam elevação de custos com fornecedores. Além disso, 70% apontam risco de perda de competitividade e 68% projetam redução do volume de produção.
Em relação às adaptações, 51% dos entrevistados citaram o repasse de custos ao consumidor como principal alternativa. Investimentos em automação foram mencionados por 41%, e redução de reajustes salariais ou promoções, por 34%. As grandes indústrias, por exemplo, apontaram automação para compensar a redução de horas em 49% dos casos, contra 29% nas pequenas empresas.

