Lideranças femininas do campo bolsonarista buscam um equilíbrio político delicado após a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher. As parlamentares tentam preservar a proximidade com a ex-primeira-dama enquanto intensificam a participação nas agendas da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, que se intensificou após divergências sobre a disputa por vaga ao Senado no Ceará, acelerou o reposicionamento das lideranças femininas. Antes, críticas públicas a Michelle eram evitadas por receio de desgastar a principal figura do segmento. Com sua saída, esse constrangimento diminuiu, permitindo manifestações mais explícitas de apoio à estratégia conduzida por Flávio.
Muitas lideranças optam por não escolher um lado, buscando manter a relação com Michelle, que continua sendo referência entre as mulheres conservadoras. Flávio, por sua vez, consolida seu projeto eleitoral com propostas como ‘Brasil por Elas’, estruturado em três eixos: proteção, oportunidades e cuidados. A deputada federal Roberta Roma (PL-BA) afirmou que as mulheres respeitam Michelle, mas veem em Flávio uma viabilidade política.
A reorganização é visível em nomes como Damares Alves (Republicanos-DF) e Celina Leão (PP-DF), que mantiveram proximidade com Michelle. Por outro lado, Flávio reúne parlamentares como Júlia Zanatta (PL-SC) e Chris Tonietto (PL-RJ) para consolidar a plataforma de governo. Integrantes da campanha descrevem a situação como uma “sinuca de bico”, ao conciliar o apoio ao presidenciável com a proximidade política com Michelle.

