As investigações sobre o Banco Master atingiram os campos governista e bolsonarista, mas o impacto político divergiu. Enquanto o caso de um membro da família de Flávio Bolsonaro gerou queda nas pesquisas, a Operação Compliance Zero sobre o senador Jaques Wagner não alterou os índices do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Yuri Sanches, analista político da AtlasIntel, a diferença reside na percepção do eleitor. Ele afirmou que, no caso de Flávio Bolsonaro, havia uma ligação direta com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Já no caso de Jaques Wagner, ele não possui o mesmo nível de conhecimento nacional, fazendo com que parte do eleitorado veja o problema como específico do senador, e não do presidente Lula.
Apesar da estabilidade nas intenções de voto, o analista declarou que o episódio causou desgaste na imagem do governo, principalmente entre eleitores independentes. Ele comentou que cerca de metade desses eleitores considera que o episódio piora a imagem do governo Lula, criando um passivo para a oposição.
O levantamento também indicou desconfiança sobre o senador Wagner mesmo entre a base de apoio de Lula. Marina Verenicz, editora de política, acrescentou que a crise atingiu simultaneamente os dois principais campos da disputa, o que evitou que a oposição transformasse Wagner em alvo central dos ataques.

