As vendas de títulos do Tesouro IPCA+ alcançaram R$ 18,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, representando um aumento de 73% em relação aos R$ 10,9 bilhões registrados em 2025. O título público liderou a aceleração no mercado de renda fixa, impulsionado pela remuneração real superior a 7% ao ano.
O crescimento do IPCA+ fez com que ele ultrapassasse o Tesouro Selic, que foi o campeão de captação no período, registrando um aumento de 23%, de R$ 24,9 bilhões para R$ 30,7 bilhões. O Tesouro IPCA+ passou a representar 61% do volume do papel pós-fixado, contra 44% no ano anterior. A migração de investidores é motivada pela remuneração, visto que a maioria dos vencimentos do IPCA+ passou a oferecer juro real acima de 7%.
Fatores como o temor com a sustentabilidade fiscal do Brasil, a volatilidade eleitoral e a projeção de Selic em 14% para o fim do ano alimentam a procura. A taxa média dos títulos IPCA+ subiu de 7,27% em janeiro para 7,64% em junho. Em junho, o título registrou R$ 5,1 bilhões em captação, concentrando 27% do volume total do semestre.
Especialistas apontam que o “miolo” da curva, com vencimentos intermediários, equilibra remuneração e liquidez. Um CEO de uma gestora recomendou focar na janela de cinco a dez anos, enquanto outro alertou que o papel longo só serve como porto seguro para quem pretende manter o investimento até o vencimento.

