O mercado global já se adapta ao cenário de maior protecionismo e redução do comércio internacional sob a administração do presidente dos Estados Unidos, afirmou Marcelo Cabral, CEO da Stratton Capital, nesta sexta-feira (3). Cabral avalia que investidores já se ajustam à postura disruptiva, mas alerta para mudanças estruturais na economia americana.
Cabral explica que o aumento de tarifas faz parte de uma dinâmica mais ampla de fechamento da economia americana, visando a reindustrialização dos EUA, e não um tratamento exclusivo ao Brasil. O executivo ressalta que essa política tarifária afeta também países aliados, como Japão e nações europeias.
Segundo o especialista, o preço dos ativos internacionais já se acomoda a esse novo ambiente de desglobalização. Ele comenta que o presidente dos EUA utiliza uma estratégia de negociação com declarações de forte impacto, mas afirma que o aumento tarifário é uma realidade inquestionável, e não apenas retórica.
Além do debate tarifário, há um pano de fundo geopolítico. Cabral aponta que a percepção americana é de que o Brasil se afastou da esfera de influência dos EUA e se aproximou da China. Para Washington, isso é sensível no contexto da disputa global por hegemonia econômica.

