A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de fraudes na aplicação de recursos de emendas Pix em São Luiz do Anauá e Iracema, em Roraima. As apurações apontam indícios de desvios de mais de R$ 145 milhões, entre 2020 e 2024, envolvendo obras paralisadas e falhas na transparência.
As operações, autorizadas pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF), descrevem pagamentos sem comprovação técnica e restrições à competitividade em licitações. Em São Luiz do Anauá, a PF informou que a execução dos contratos financiados concentrou-se na empresa TCM Construções Ltda. A Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que as obras fiscalizadas estavam paralisadas durante as vistorias, mesmo após os pagamentos terem sido realizados.
A auditoria da CGU identificou pagamentos superiores às medições registradas e indícios de superfaturamento em empreendimentos como a Praça dos Buritis. Somados, os valores considerados pagos indevidamente ou com sobrepreço ultrapassam R$ 22 milhões. A investigação também aponta deficiência na rastreabilidade dos recursos e indícios de lavagem de dinheiro.
Em Iracema, as falhas incluem ausência de planos de trabalho e relatórios de execução na plataforma Transferegov, além da utilização da mesma conta bancária para movimentar recursos de diferentes emendas. A PF identificou também indícios de direcionamento em licitações. O ministro Dino declarou que os elementos reunidos apontam, em tese, para a prática de crimes contra a administração pública, como corrupção e peculato.

