O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planeja viajar aos Estados Unidos na próxima semana para defender o Pix, alegando que o sistema de pagamentos é uma conquista brasileira, sem taxas e soberano. A iniciativa ocorre em meio a tensões comerciais, após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apontar o Pix como barreira ao comércio exterior.
Flávio Bolsonaro afirmou em vídeo, divulgado na quinta-feira (2), que o Pix é “brasileiro, sem taxa e ninguém mexe”. O senador declarou que esta é a segunda vez que ele defende o sistema no país norte-americano. Em uma carta enviada ao governo dos EUA na quarta-feira (1º), ele classificou o Pix como “uma infraestrutura pública soberana de pagamentos”, comparando-o ao FedNow, administrado pelo Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos.
O parlamentar argumentou que a tese de conflito de interesses é insustentável, pois o método de pagamento brasileiro não é uma “empresa comercial concorrente”. Ele também mencionou que o volume de transações com cartões dos Estados Unidos no Brasil cresceu paralelamente ao Pix, ampliando o mercado consumidor para empresas norte-americanas. Para resolver o impasse, Flávio propôs um “compromisso legislativo” que impediria a integração do Pix a sistemas de pagamento internacional não Ocidentais.
Em resposta à carta, o presidente Lula (PT) comentou que a família Bolsonaro estaria tentando entregar o Pix a “interesses estrangeiros”, afirmando que o sistema é uma conquista nacional e que o Brasil não abrirá mão dele. Paralelamente, o USTR publicou um documento na terça-feira (31) listando o Pix, o projeto de lei para plataformas de internet e impostos sobre encomendas expressas como obstáculos impostos pelo Brasil ao comércio exterior.

