A Advocacia da Câmara dos Deputados emitiu um parecer de arquivamento em apenas três minutos sobre uma auditoria que analisava a regularidade de pagamentos de horas extras a 13 servidores. O processo, que continha mais de cinco mil páginas e envolvia cerca de R$ 9 milhões desde 2016, gerou questionamentos sobre a celeridade da análise.
O documento de auditoria foi recebido pelo setor jurídico da Câmara em oito de junho. O parecer, emitido por Arthur Batista Tavares, afirmou que não havia ilicitudes nos pagamentos extraordinários. A tramitação rápida ocorreu após a formalização eletrônica do processo, procedimento que a Advocacia não acessa antes da vinculação no sistema.
O caso ganhou destaque devido a alegações de “triplo aproveitamento” de rubricas por diretores da Casa. Esse esquema já é objeto de representação no Tribunal de Contas da União (TCU), onde o ministro Odair Cunha atua como relator. A denúncia aponta que a cúpula realizou monitoramento sigiloso em sistemas internos para rastrear servidores de recursos humanos.
Em resposta à imprensa, o 1º secretário da mesa diretora da Câmara, deputado Carlos Veras, justificou que o sistema permite o upload de textos produzidos fora da plataforma. A Câmara também negou violação de privacidade, afirmando que houve acesso legítimo a metadados institucionais. A defesa dos servidores contestou as acusações, negando que o diretor-geral tenha realizado 500 horas extras em 2025.

