Um novo exame, que mede o DNA livre circulante derivado do doador (dd-cfDNA), chega ao Brasil para monitorar pacientes transplantados e reduzir a necessidade de biópsias. O teste detecta o aumento de material genético no sangue quando o órgão sofre danos, como rejeição ou infecção.
O exame dd-cfDNA avalia a quantidade de DNA do órgão transplantado que circula no sangue do paciente. Segundo Renato De Marco, diretor do Instituto de Imunogenética (Igen), o aumento desse material genético indica um problema a ser investigado. A tecnologia já é usada nos Estados Unidos desde 2017 e em centros europeus.
A cardiologista Lívia Goldraich, supervisora técnica do Programa de Transplante Cardíaco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), afirmou que o principal benefício é evitar procedimentos invasivos. Ela comentou que o exame pode mudar a qualidade de vida dos transplantados ao reduzir desconforto e riscos associados às biópsias.
No Brasil, o Igen foi o primeiro laboratório da América Latina a validar o teste, que custa cerca de R$ 900. Um estudo recente com 400 pacientes mostrou que aproximadamente 80% das biópsias feitas por suspeita de rejeição poderiam ter sido evitadas com o auxílio do exame. O teste funciona apenas com coleta de sangue e deve ser usado como ferramenta complementar à avaliação médica.

