Os Estados Unidos completam 250 anos de independência, mas, segundo o professor de Relações Internacionais da UFF, o país ocupa uma posição diferente daquela que teve no auge de sua hegemonia. O analista avalia que, apesar da solidez institucional, o poder americano enfrenta uma contestação crescente no cenário global.
Para o professor Vitelio Brustolin, a Declaração de Independência de 1776 foi um feito bem-sucedido. A Constituição americana, promulgada em 1787, manteve-se vigente, resistindo a guerras, crises econômicas e transformações sociais. Contudo, o arcabouço institucional foi testado recentemente, com o atual presidente desafiando a tradição democrática após a invasão ao Capitólio.
Brustolin também frisou que os ideais fundadores, baseados na igualdade, sempre foram questionados por questões de discriminação racial, escravidão e desigualdade social. No plano externo, o analista afirma que os EUA não desfrutam mais da supremacia incontestável que possuíam após a queda da União Soviética.
A contestação do poder americano, segundo o especialista, ocorre principalmente pelo crescimento da China. Esse cenário introduz o que ele denomina uma possível “armadilha de Tucídides”, referindo-se à rivalidade entre potências estabelecidas e emergentes.

