A B3 registrou saída líquida de capital externo na Bolsa em junho, retirando R$ 7,785 bilhões. Este movimento marca o segundo mês consecutivo de retirada, reduzindo o saldo positivo de 2026 para R$ 33,847 bilhões. Apesar da queda, o montante ainda é 26% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025.
A redução do fluxo estrangeiro deve fatores externos e internos. No exterior, o interesse por mercados asiáticos e ativos de tecnologia e inteligência artificial (IA) cresceu devido às negociações sobre o fim da guerra do Irã. O estrategista-chefe do BTG Pactual, João Scandiuzzi, comentou que a queda no saldo se deve à rotação de fluxos de ações de valor para crescimento, pois as empresas brasileiras são consolidadas e pagadoras de dividendos.
O Ibovespa recuou 1,1% em junho, influenciado pelo peso das commodities e pela queda de 20% do petróleo. Essa baixa ocorreu após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã aumentar a oferta da matéria-prima. No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou uma visão mais dura, indicando a possibilidade de não haver cortes na taxa Selic, contrariando o otimismo inicial do ano.
Apesar da retração, o saldo estrangeiro até junho de 2026 é 26% maior que o de 2025. O banco Citi afirmou que o Brasil apresenta descontos em relação a mercados desenvolvidos, destacando que o múltiplo de 8,4 vezes o preço sobre lucro projetado é um dos maiores descontos recentes. Contudo, a incerteza das eleições brasileiras de outubro também influencia as projeções de fluxo para o segundo semestre.

