O Ministério Público enviou representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitando que a Corte avalie se a proximidade das eleições de 2026 contribuiu para o agravamento do déficit primário do governo central. O pedido foi feito após o registro de um rombo de R$ 44,385 bilhões no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026.
O documento, assinado pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, detalha que o governo central registrou déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio. No período de cinco meses de 2026, o rombo atingiu R$ 44,385 bilhões, contrastando com o superávit de R$ 32,94 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Segundo a representação, este é o pior resultado para o intervalo desde 2020.
Furtado explicou que a deterioração fiscal não é apenas um problema contábil, pois déficits sucessivos pressionam a dívida pública e alimentam a inflação, com efeitos mais severos sobre a população de menor renda. O subprocurador argumentou que, embora fatores como a antecipação de precatórios possam explicar parte da piora, eles não anulam a necessidade de fiscalização.
O MP solicitou ao TCU que realize acompanhamento da evolução do déficit primário e apure se o ano eleitoral concorreu para o agravamento das contas. Além disso, pediu que a Corte encaminhe a deliberação ao presidente do Congresso Nacional, indicando as razões do desequilíbrio fiscal e as providências recomendáveis para sua correção.

