Um estudo realizado com mais de 2 mil homens nos Estados Unidos indicou que poluentes comuns presentes no ar podem alterar fundamentalmente a genética de espermatozoides. As alterações, focadas na metilação do DNA, podem impactar a fertilidade masculina e a saúde dos descendentes.
A pesquisa, conduzida entre 2013 e 2017, analisou amostras de sêmen de voluntários em intervalos de dois, quatro e seis meses. Os cientistas focaram em como os poluentes, como dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e ozônio, afetam a metilação do DNA, um processo químico que regula a atividade genética sem modificar o material genético.
Os pesquisadores identificaram 39 alterações de metilação do DNA ligadas à poluição, com destaque para o gene GNAS. Segundo a cientista Carrie Nobles, coautora do estudo, as implicações do GNAS são relevantes porque genes imprints persistem durante o desenvolvimento embrionário inicial, levantando questões sobre a influência ambiental paterna na saúde da prole.
A cientista Karen Sermon, ex-presidente da ESHRE, comentou que a dificuldade de concepção em casais expostos à poluição pode ser uma das explicações para o impacto da poluição na saúde reprodutiva. Os achados são preliminares, e os pesquisadores defendem a necessidade de estudos futuros para replicar os resultados e investigar outros fatores de poluição.

