O funeral de Estado do aiatolá Ali Khamenei, líder que comandou o Irã por 37 anos, transforma-se em demonstração de sobrevivência política da República Islâmica. Quatro meses após sua morte, o governo utiliza os ritos para sinalizar que o regime permanece funcional e que a sucessão está encaminhada, apesar dos conflitos recentes.
As cerimônias, que começaram em Teerã e se estenderão por vários dias, incluem paradas em diferentes cidades iranianas e locais sagrados no Iraque. Milhões de pessoas são esperadas, sob forte esquema de segurança, com a presença de autoridades civis, militares e religiosas, além de delegações estrangeiras.
Analistas afirmam que a guerra recente fortaleceu o núcleo mais radical do poder iraniano. Com a eliminação de parte da antiga liderança militar, novos comandantes ligados à Guarda Revolucionária Islâmica ocuparam posições estratégicas. Isso centraliza a estrutura de poder e reduz a propensão a concessões ao Ocidente.
O evento possui forte peso político, pois o governo busca reforçar a narrativa de resistência contra os ataques sofridos. A grande mobilização serve como teste da estabilidade interna do regime. A avaliação predominante aponta que a estrutura política da Revolução Islâmica de 1979 sobreviveu ao maior teste em décadas, emergindo sob uma liderança mais fechada e linha-dura.

