Fundos de renda fixa apresentaram rendimentos abaixo do CDI no acumulado de 2026, apesar da taxa Selic elevada. O resultado ocorre devido à composição dos ativos e à forma como os títulos são precificados diariamente no mercado.
O descompasso entre o rendimento dos fundos e o CDI se explica pela alocação em diferentes tipos de títulos. Enquanto os fundos DI, que aplicam em papéis indexados ao CDI, mostram retorno próximo ao índice, outros papéis puxam a média para baixo. O IMA-B, que acompanha títulos atrelados ao IPCA, registrou alta de apenas 4,56% no ano, enquanto a ponta longa desse índice rendeu 2,83%.
O fator principal é a marcação a mercado. Diferente dos títulos pós-fixados, os prefixados e os atrelados à inflação têm seu preço reavaliado diariamente conforme a curva de juros futuros. Quando essa curva sobe, o preço dos papéis já emitidos cai, gerando perdas no curto prazo para o cotista.
No crédito privado, o desempenho foi agravado por uma abertura de spreads em março e abril, após preocupações com empresas. Além disso, resgates de fundos de infraestrutura somaram R$ 10 bilhões em junho. Quando há saques em um mercado com spreads altos, os fundos são forçados a vender papéis a preços inferiores, o que impacta a rentabilidade.
Gestores indicam que o retorno fraco no curto prazo está ligado à precificação dos ativos. Contudo, há expectativa de que a recompensa por carregar títulos de inflação e prefixados apareça no médio e longo prazo, devido aos níveis historicamente altos das taxas dos títulos públicos.

