Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas de grande sucesso na televisão brasileira, afirmava que não se preocupava com a pressão por audiência. O escritor defendia que o sucesso de suas tramas rurais vinha da capacidade de gerar identificação emocional no espectador, e não de números abstratos.
O autor explicou que sua escolha por narrativas rurais se dava pelo apreço ao universo temático e pela crença de que o público brasileiro reconhece a vida no campo. Segundo ele, o segredo de uma novela reside no “gancho”, ou seja, na constante pergunta sobre o que acontecerá em seguida.
Em entrevistas passadas, Barbosa comentou que preferia ver o público como uma figura concreta, e não como um dado estatístico. Ele chegou a declarar, em 2014, que a audiência era “fajuta”, citando o fato de que um único domicílio pode possuir múltiplos aparelhos de televisão, cada um exibindo conteúdo diferente.
Barbosa insistia que nunca escreveu pensando em índices de audiência. Para ele, o êxito era consequência de histórias que retratavam conflitos familiares, disputas por terra e romances, elementos que despertavam a identificação emocional. O autor citou obras como “Pantanal” (1990) e “O Rei do Gado” (1996) como exemplos de narrativas que atravessaram gerações.

