A integração elétrica entre o Brasil e países vizinhos pode transformar o excesso de geração renovável em nova fonte de receita para o país. O CEO do Grupo Bolt, Gustavo Ayala, defende a ampliação das interconexões para permitir a exportação de energia limpa brasileira.
Ayala explica que a expansão da geração solar gera excedente de energia em certos momentos, especialmente sob alta incidência solar. Em vez de desperdiçar esse volume, ele poderia ser comercializado com nações vizinhas, gerando divisas e auxiliando na descarbonização da matriz elétrica sul-americana. “Quando a energia está mais cara lá fora, conseguimos vender essa energia e trazer essas divisas ao Brasil”, afirmou o executivo.
Atualmente, o Brasil mantém interligações com Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela. Contudo, Ayala aponta que a infraestrutura existente não atende ao potencial do país. Ele citou a Bolívia como exemplo, sugerindo que o excedente de geração do Mato Grosso poderia abastecer o país vizinho com uma linha de transmissão adequada.
O projeto enfrenta obstáculos estruturais. A Aneel retirou do leilão de transmissão de outubro de 2026 o sublote 4C, que previa a interligação Brasil-Bolívia. A agência técnica apontou incertezas sobre acordos internacionais, a falta de modelagem do sistema elétrico boliviano e indefinição de cronogramas, impedindo o dimensionamento de riscos por investidores.

