O Brasil possui 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica, totalizando 37,3% da população nessa faixa etária, conforme um estudo recente. O relatório, que reúne 16 organizações da sociedade civil, alerta que a queda na demanda por Educação de Jovens e Adultos (EJA) deve-se à mortalidade do público, e não ao avanço da escolarização.
O estudo, realizado por Fundação Roberto Martinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú/ Itaú Educação e Trabalho e Fundação Arymax, com cooperação da Unesco, detalha que a EJA atende apenas 1,5% da demanda potencial do país. A cobertura varia entre as etapas, sendo menor nos anos finais do Ensino Fundamental (1,1%) e no Ensino Médio (2,3%).
Os pesquisadores alertam que a redução do contingente de pessoas sem educação básica, que caiu 16% desde 2012, não reflete sucesso das políticas. Segundo o relatório, a queda é explicada por fatores demográficos, indicando que os próximos 10 a 15 anos são a última janela de oportunidade para alcançar as gerações nascidas entre 1960 e 1980.
O custo da incompletude educacional foi calculado em R$ 66 bilhões em renda perdida. O estudo simula que se metade desse grupo, cerca de 32,5 milhões de pessoas, concluísse a educação básica, haveria um ganho potencial equivalente a 0,6% do PIB. A oferta da modalidade também diminuiu, com o número de municípios sem turmas de EJA mais que dobrando entre 2008 e 2024.

