Uma característica genética, ligada ao gene ABCC11, impede que parte da população produza odor nas axilas, o que torna o uso de desodorante desnecessário. A condição, que afeta pessoas em diversas regiões, foi estudada por pesquisadores e relatada por indivíduos como a jornalista Mayra Monteiro, de 30 anos, residente em Belém.
O odor corporal não provém do suor em si, mas sim da metabolização de substâncias produzidas pelas glândulas sudoríparas apócrinas por bactérias presentes na pele. Segundo a dermatologista Giselle Parente Souza, algumas pessoas apresentam uma alteração genética que reduz a produção dessas substâncias. Essa variação no gene ABCC11 diminui os compostos que servem de alimento para as bactérias responsáveis pelo odor.
Estudos internacionais confirmam a relação genética. Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, analisaram 6.495 mulheres em 2013 e identificaram que cerca de 2% delas possuíam a variação do gene ABCC11. A jornalista Mayra Monteiro, de 30 anos, relatou que nunca utilizou desodorante, mesmo em Belém, cidade conhecida pelo clima quente e úmido, pois percebeu desde a infância a ausência de odor.
A médica Souza esclarece que o calor e a umidade aumentam a transpiração, mas não alteram a predisposição genética. Ela afirma que a medicina avança para uma abordagem mais personalizada, onde o perfil genético poderá guiar recomendações de higiene. Para quem não desenvolve odor, não há risco em não usar o produto, desde que a higiene corporal seja mantida.

