As discussões políticas e econômicas migraram de espaços de busca pela verdade para arenas de desgaste psicológico, onde a confusão supera a coerência. O método dominante de comunicação tornou-se a erística, priorizando a interrupção e a saturação em detrimento da argumentação.
O fenômeno da erística, teorizado por Arthur Schopenhauer, consolidou-se como o método principal na comunicação política, especialmente com o avanço das redes sociais. O objetivo deixou de ser demonstrar um ponto e passou a ser impedir que o interlocutor apresente sua defesa. Isso gera uma avalanche de afirmações superficiais e slogans, inviabilizando refutações sérias.
A dinâmica se agrava porque desmontar uma falsidade exige mais energia do que produzi-la. Em um ambiente de velocidade, a simplificação emocional prevalece sobre a explicação técnica. Quando um argumento é atacado, ocorre o deslocamento estratégico do foco: a economia cede lugar à moral, e a evidência é substituída pela provocação. Isso impede qualquer conclusão estável.
Outra tática é a caricaturização deliberada das ideias adversárias. Propostas moderadas são deformadas até parecerem absurdas, como converter uma crítica ao mercado em “ódio à liberdade”. Quando isso falha, os ataques pessoais e encenações substituem o encadeamento lógico. O problema central é que essa cultura erística destrói a possibilidade de uma esfera pública racional.

