A compreensão das questões brasileiras do autor foi construída por meio de leituras que desafiaram sua visão. No ensino fundamental, a indicação de As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, apresentou o imperialismo e as feridas históricas do continente.
A experiência inicial com Galeano, em Garibaldi, foi um choque de realidade, expondo ao estudante o tema do imperialismo e as contradições latino-americanas. O autor, que não se inclinou às matérias exatas, manteve o hábito da leitura como pilar de sua formação, diferenciando-o do consumo rápido de informações digitais.
Posteriormente, a trilogia O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, ajudou a entender a saga do Rio Grande do Sul e a construção da identidade nacional. Paralelamente, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ensinou sobre a luta pela sobrevivência no sertão, exigindo que a análise do Brasil olhasse para os marginalizados.
Essas obras ensinaram que o país é feito de contradições e que a compreensão exige ir além dos discursos oficiais. O autor afirma que sua missão se tornou pensar o Brasil como um projeto de sociedade, sustentado pelo reconhecimento de suas raízes e dores.

