O setor de lítio no norte de Minas Gerais sinaliza uma retomada de investimentos após dois anos de queda nos preços, segundo o evento Lithium Business em Salinas. O mercado indica que o pior momento passou, embora os valores atuais não reflitam a euforia de 2022, mas sim uma fase mais favorável para projetos.
Apesar da cautela, empresas do setor afirmam que o patamar atual dos preços é suficiente para destravar estudos e recolocar projetos na mesa. Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, comentou que o pessimismo diminuiu, mas reforçou a volatilidade do mineral, que é considerado uma commodity jovem. Segundo a Argus Media, o carbonato de lítio grau bateria estava cotado a US$ 21,55 por quilo no mercado CIF China em 7 de julho.
A recuperação recente dos preços é atribuída, segundo Pedro Consoli da Argus Media, à redução da oferta e ao crescimento inesperado da demanda por sistemas estacionários de armazenamento de energia (BESS). Em 2019, veículos elétricos respondiam por 36,2% da demanda global de lítio; em 2025, essa participação atingiu 55,4%, enquanto o armazenamento avançou para 24,5%.
No entanto, o setor enfrenta o dilema de permanecer na etapa inicial da cadeia. O Brasil produz concentrado de espodumênio, mas o refino e a conversão química permanecem concentrados na China. Por isso, o setor cobra políticas públicas para avançar além da mineração, visando agregar valor nacional.


