A juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, identificou indícios de que os bancos Itaú e Santander atuaram em conjunto para ocultar informações financeiras da varejista Americanas. A determinação judicial autorizou mandados de busca e apreensão contra executivos das instituições de crédito, como parte da Operação Disclosure, deflagrada em 25 de junho.
As investigações apontam que funcionários de alto escalão de ambas as instituições financeiras agiram de forma coordenada para emitir cartas de auditoria sem registrar os débitos reais da empresa. Mensagens de texto trocadas entre diretores dos bancos fundamentaram a suspeita de cooperação mútua na fraude de balanços. A magistrada afirmou que o aval de uma companhia funcionava como fator decisivo para que a outra seguisse as orientações da varejista.
A omissão de dados concentrou-se em operações de risco sacado, onde a varejista utilizava a triangulação para contrair empréstimos pesados sem declarar os compromissos aos investidores. Com a suposta conivência dos executivos bancários, a companhia conseguiu mascarar sua insolvência e omitir o crescimento de obrigações financeiras por anos.
As instituições financeiras negam qualquer participação nas adulterações contábeis. A assessoria do Itaú comunicou que a empresa sofreu prejuízos bilionários e comprovou a regularidade de suas atividades em juízo. O Santander declarou que também figura como vítima do episódio, e a Polícia Federal analisa computadores e celulares recolhidos na operação para identificar novos responsáveis.

