A alta recente do preço do petróleo, motivada por tensões no Estreito de Ormuz, eleva o risco inflacionário no Brasil e dificulta a redução da taxa Selic, conforme afirma o economista Rodrigo Simões. O movimento, embora momentâneo, exige atenção devido à forte dependência do país de combustíveis fósseis.
Simões declarou que um choque de oferta no petróleo desestabiliza o cenário econômico em um momento em que o objetivo é reduzir os juros. Ele observou que, apesar de o barril ter subido após os ataques na região, o preço permanece abaixo dos níveis superiores a 120 dólares, registrados durante o auge do conflito. O Brasil, segundo o professor, é sensível a essas oscilações por depender de diesel, gasolina e fertilizantes, ao contrário de países desenvolvidos que aceleram a eletrificação de suas economias.
O especialista comentou que medidas de subsídio apenas amenizam o sintoma inflacionário, sem resolver a raiz do problema, o que pode gerar pressão fiscal futura. Ele reforçou que o país precisa atuar de forma mais firme na transição energética. Ademais, projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que o consumo mundial de petróleo deve atingir seu pico por volta de 2030.
No âmbito nacional, os efeitos da volatilidade já são absorvidos pelas empresas, que reprecificam contratos de importação, fretes e logística para cobrir a expectativa de custos mais elevados. Simões concluiu que esse aumento de custos explica a resistência da inflação e mantém as expectativas de juros elevadas no mercado.

