A eliminação precoce da Seleção brasileira na Copa do Mundo, ocorrida no último domingo (5), gerou um intenso sentimento de frustração no país. Um levantamento de 7.855 conversas em redes sociais indicou que 41% das manifestações eram de descrença total sobre futuras conquistas.
O sentimento de desânimo ultrapassou o âmbito esportivo, atingindo o imaginário coletivo. Segundo a Orbit Data Science, após a derrota para a Noruega, a descrença foi alta. Apenas 17% dos usuários analisados expressaram confiança na conquista do hexacampeonato na edição de 2030.
Sérgio Freire, psicólogo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), atribui essa reação ao pensamento catastrófico, que leva à generalização do momento presente para o futuro. Ele explica que a mente, diante da frustração, projeta a dor atual para o infinito.
Maria Carolina Fontana Antunes, neuropsicóloga da Universidade Paris Cité, contudo, afirma que as redes sociais amplificam o estado emocional do momento. Ela aponta que o viés de negatividade é reforçado pela cultura do imediatismo, dificultando a compreensão de que o desempenho esportivo é construído ao longo de anos.
Carolina Valle, líder de pesquisas da Orbit, descreve a ‘inflamação emocional do brasileiro’ como um fenômeno uniforme, que ocorre em diversos debates sociais. Ela reconhece o pessimismo gerado pelo jejum desde 2002, mas afirma que o sentimento é momentâneo e que o brasileiro voltará a acreditar no sonho do hexacampeonato em 2030.

