A federação União Progressista avalia adotar neutralidade na eleição nacional, uma decisão que pode representar um revés político para o pré-candidato Flávio Bolsonaro na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva. A movimentação é alimentada por desgastes recentes e busca maior autonomia nas disputas estaduais.
O desgaste recente envolveu a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, candidato do União Brasil ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro. A operação da Polícia Federal levou o PL do Rio de Janeiro a considerar a substituição de Canella por Marcelo Crivella, o que gerou insatisfação na cúpula do União Brasil.
Lideranças da federação defendem que a neutralidade nacional facilita a composição de chapas nos estados e garante independência aos candidatos ao Congresso. Exemplos disso incluem o governador do Amazonas, Roberto Cidade, que lançou pré-candidatura sem citar o filho mais velho de Jair Bolsonaro, e a avaliação no Rio de Janeiro de compor com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).
O PP manifestou incômodo pela falta de apoio de Flávio ao presidente do partido, Ciro Nogueira, que foi alvo de investigação da Polícia Federal no caso do Banco Master. Integrantes do PP afirmam que a neutralidade poderia ser reavaliada caso a vice seja oferecida ao partido, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi apontada como nome para o cargo.

