A Casa Branca demitiu, nesta quinta-feira (9), a liderança da Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA (EAC), agência federal que fornece financiamento e orientações de segurança a autoridades eleitorais. A ação, que gerou preocupação, levanta questionamentos sobre possível interferência federal no processo eleitoral antes das eleições de meio de mandato.
A EAC, criada pelo Congresso em 2002, certifica equipamentos de votação e administra apoio federal para as eleições. Após o governo ter esvaziado a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA), a EAC é uma das poucas entidades federais restantes encarregadas de apoiar a segurança eleitoral dos estados. A agência, que deveria ter caráter bipartidário, enfrentava a dificuldade de defender autoridades eleitorais contra ameaças, enquanto tentava evitar a ira do presidente.
Autoridades eleitorais criticaram a onda de demissões. O secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, declarou que a medida “mina a integridade da administração eleitoral apartidária”. Além disso, a comissão já havia sido alvo de uma ordem executiva do presidente visando reformular as eleições de 2025, que exigia prova de cidadania nos registros eleitorais, mas que foi amplamente bloqueada pela Justiça.
Um ex-funcionário da EAC comentou que a agência já estava em risco desde decisões judiciais anteriores. Ele afirmou que as demissões deixam claro que o Congresso não teria criado uma agência federal com tais atribuições sem blindá-la de interferências da Casa Branca. O Brennan Center for Justice condenou as demissões, dizendo que elas deixaram a agência “sem liderança e incapaz de cumprir suas principais responsabilidades”.

