A tentativa do Irã de ampliar o controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz eleva o risco de nova escalada militar, gerando incertezas no abastecimento global de energia, avalia Vitelio Brustolin. O especialista afirmou que a estratégia iraniana visa aumentar a influência sobre a rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural consumidos mundialmente.
Brustolin explicou que o Irã busca forçar embarcações comerciais a navegar mais próximas de seu litoral, o que permitiria a cobrança de taxas. Essa prática é vedada pelo direito internacional, conforme a Convenção de Montego Bay, de 1982, que proíbe tarifas em estreitos naturais.
Segundo o pesquisador, essa tentativa de controle motivou ataques anteriores dos Estados Unidos contra equipamentos militares iranianos. Ele alertou que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode causar impactos severos, pois as reservas estratégicas dos países têm prazo limitado para absorver o choque.
Países como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos evitam o envolvimento militar direto, priorizando a retomada de negociações. O especialista indicou que sinais importantes a serem monitorados incluem possíveis reforços navais dos Estados Unidos e novas ações contra a ilha iraniana de Kharg.

