A torcida norueguesa realizou uma remada viking em Ocean Drive, em Miami Beach, na véspera das quartas-de-final da Copa do Mundo contra a Inglaterra. A prefeitura local homenageou o clube de torcedores, decretando o dia como “Dia Oljeberget”.
A celebração da estética viking na Copa do Mundo não é um fato isolado. A exaltação da cultura remonta ao século XIX, quando eruditos buscaram fundamentar a identidade nacional norueguesa. Segundo o doutor em História pela UFF, Caio Feó, embora hoje se destaque o papel dos vikings como comerciantes e artesãos, a principal mercadoria que eles comercializavam eram pessoas escravizadas.
O debate sobre a imagem viking também se conecta a questões sociais. A estética masculina ligada à virilidade, associada aos estereótipos, é usada por grupos de extrema-direita. Luciane Belin, pesquisadora do NetLab da UFRJ, analisa que essa visão associa masculinidade à força física e à brutalidade.
A Federação Norueguesa de Futebol, contudo, apresentou outra perspectiva. Ragnhild Ask Connell, diretora de comunicação da entidade, afirmou que a história viking representa no futebol norueguês valores como comunidade, voluntariado e coragem. A prefeitura de Miami entregou o decreto de “Dia Oljeberget” a um dos torcedores como reconhecimento à presença norueguesa.

