As férias escolares de inverno levam muitas crianças a passarem mais tempo em frente a telas, um hábito que preocupa especialistas. Um levantamento de 2025 aponta que 94% das crianças de 4 a 6 anos usam dispositivos diariamente, contrastando com as recomendações de saúde.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece limites claros para o tempo de tela: crianças de até dois anos não devem ter contato com telas, e o limite para a faixa de dois a cinco anos não deve ultrapassar uma hora diária. Para crianças de seis a dez anos, o ideal é de duas horas por dia.
Tatiane Ayala, coordenadora de Ensino Fundamental I do Colégio Anchieta, em Porto Alegre, disse que o desafio não é eliminar o universo digital, mas garantir que ele ocupe um espaço equilibrado. Segundo a educadora, atividades simples, como brincar ao ar-livre ou preparar receitas em família, promovem aprendizados tão significativos quanto atividades estruturadas.
Ayala acrescentou que a qualidade da presença dos adultos é fundamental para o amadurecimento emocional das crianças entre seis e onze anos. Ela defendeu o espaço para o “ócio criativo”, momento em que o tédio estimula a invenção de brincadeiras. A especialista concluiu que as memórias afetivas são construídas mais por experiências de convivência do que pelo conteúdo assistido em vídeos.

