O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve recusar convite do governo dos Estados Unidos para uma reunião no Departamento de Estado na quarta-feira, 15. O encontro trataria do terrorismo político, mas a decisão enfrenta obstáculos políticos e diplomáticos.
A avaliação interna do Itamaraty indica que a viagem dificilmente ocorrerá. Além de compromissos prévios do chanceler, pesa a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de evitar ampliar desgastes com Washington. A relação bilateral se deteriorou devido à imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e ao endurecimento da política dos EUA contra facções criminosas no país.
Em junho, o Departamento de Estado classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. O governo Lula rejeita esse enquadramento, pois argumenta que as facções são criminosas de tráfico e não possuem motivação política ou ideológica. O chanceler afirmou que tal classificação pode abrir precedente para intervenção militar norte-americana no território brasileiro, o que gerou pedidos de convocação da oposição.
Na quinta-feira, 9, o presidente Lula se reuniu com o ministro para discutir a crise diplomática. Integrantes do Itamaraty relatam que há pouca margem para negociação sobre as tarifas, e que as conversas com o governo Trump perderam espaço para discussões técnicas, adotando postura mais rígida desde maio.

