A crescente adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) gera um paradoxo: enquanto a tecnologia otimiza tarefas, há relatos de aumento do esgotamento mental e dependência. Pesquisas apontam que a passividade diante da IA ameaça o esforço analítico humano.
O debate sobre a IA transcendeu a área de tecnologia e chegou ao cotidiano corporativo. Contudo, a implementação em larga escala de ferramentas para reduzir a burocracia tem sido acompanhada por recordes de ansiedade e dependência de respostas prontas. Segundo especialistas, o problema reside na reação passiva, que troca o esforço analítico pela gestão de comandos.
O alerta ganha base científica ao revisitar o Efeito Flynn. Um estudo com mais de 730 mil recrutas militares noruegueses, liderado por Bjørn Bratsberg e Ole Rogeberg, mostrou que os escores cognitivos atingiram o pico na coorte de 1975 e declinam cerca de 0,2 ponto por ano, indicando fatores ambientais como causa principal.
Em um estudo experimental de 2025, pesquisadores observaram que o uso de IA Generativa, como o ChatGPT, acelera tarefas de escrita, mas resulta em menor engajamento cognitivo e retenção, um quadro chamado “dívida cognitiva”. Além disso, levantamentos indicaram que maior confiança na IA reduz o pensamento crítico dos profissionais.
Marco Silva e Silva, diretor-executivo da GFT Tecnologies no Brasil, afirmou que o diferencial competitivo futuro não será quem mais usa tecnologia, mas quem souber utilizá-la sem renunciar ao esforço cognitivo. Ele declarou que a capacidade humana de imaginar o que ainda não existe permanece essencial.

