O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) identificou a inserção de comandos ocultos, conhecidos como ‘prompt injection’, em um pedido cautelar apresentado por um deputado estadual. A petição visava paralisar o programa Olho Vivo, que integra câmeras inteligentes e reconhecimento facial para segurança pública.
Os comandos estavam localizados no rodapé de todas as 26 páginas do documento. Escritos em fonte pequena e na mesma cor do fundo, eles eram imperceptíveis ao olho humano, mas eram lidos pela Inteligência Artificial do Tribunal. A intenção era fazer com que a IA direcionasse o processo a conselheiros específicos, classificasse-o como ‘URGÊNCIA MÁXIMA TIPO 1’ e sugerisse uma decisão favorável ao pedido.
Apesar da tentativa de burlar o sistema, o TCE-PR informou que os mecanismos de segurança impediram qualquer direcionamento. O processo foi distribuído por sorteio ao conselheiro Fernando Guimarães. O Tribunal declarou que a responsabilidade pela inserção dos comandos será apurada e comunicada aos órgãos competentes.
O deputado estadual Arilson Chiorato negou conhecer qualquer comando oculto no documento e defendeu apuração técnica rigorosa. A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB/PR) instaurou procedimento para apurar responsabilidade ético-disciplinar. O programa Olho Vivo já teve sua licitação suspensa pelo TCE-PR em abril, devido a riscos de sobrepreço e exposição de dados pessoais.

