Publicações em redes sociais alegaram que o Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência (HAARP), da Universidade do Alasca Fairbanks, causou o terremoto na Venezuela. Contudo, especialistas desmentiram a ligação, afirmando que o evento foi resultado do choque de placas tectônicas.
Na noite de 24 de junho de 2026, dois terremotos atingiram o norte da Venezuela, incluindo Caracas. Os sismos foram os mais fortes registrados no país em mais de um século, causando destruição na capital e municípios vizinhos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram devido a uma falha transcorrente rasa perto do limite entre as placas do Caribe e da América do Sul.
O professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), explicou que o HAARP não tem capacidade de gerar tremores. Ele declarou que o projeto, que estuda a ionosfera, opera apenas com ondas eletromagnéticas, sem efeito climático ou capacidade de provocar sismos.
Sobre o céu avermelhado registrado após o tremor, o especialista da USP apontou que o fenômeno é o espalhamento de Rayleigh. Ele explicou que o aumento de partículas de poeira, levantadas pela destruição, causa o desvio da luz solar, gerando o tom vermelho. Os lampejos registrados podem ter relação com a eletrização momentânea do ar gerada pelo atrito das placas tectônicas.

