Cientistas utilizam a inteligência artificial para analisar milhões de vocalizações de diferentes espécies, buscando padrões em suas comunicações. A tecnologia, como o NatureLM-audio, permite processar grandes volumes de dados, mas ainda não traduz o significado exato dos sons animais, segundo a imprensa internacional.
O avanço da IA mudou a abordagem científica sobre a comunicação animal. Em vez de focar na aprendizagem de línguas humanas por outras espécies, a pesquisa atual investiga os padrões de troca de informações entre os próprios animais. A ferramenta permite identificar estruturas em sons emitidos em diversos contextos sociais e ambientais.
Um projeto desenvolvido pelo Earth Species Project, o NatureLM-audio, é um modelo audiolinguístico de código aberto treinado com dados de bioacústica, música e fala humana. Um estudo recente, realizado com corvos-pretos na Espanha, demonstrou o potencial da tecnologia ao mapear um repertório vocal onde cerca de 60% dos sons eram chamados suaves, pouco percebidos antes.
Apesar das descobertas, especialistas alertam que a IA não substitui a interpretação científica. O professor Jeff Sebo, da Universidade de Nova York, afirmou que é necessária mais pesquisa para interpretar sinais animais com segurança. Além disso, os pesquisadores defendem limites para evitar usos invasivos ou comerciais que possam interferir em comportamentos essenciais das espécies.

