O banco central da China comprou 480 mil onças de ouro em junho, registrando a maior aquisição mensal em uma sequência de 20 meses. O movimento, divulgado pela Administração Estatal de Câmbio da China, visa diversificar carteiras cambiais e proteger-se contra riscos geopolíticos e a pressão de um dólar mais forte.
As reservas oficiais de ouro do país subiram para 75,4 milhões de onças ao final de junho. Este volume superou as 330 mil onças adicionadas em dezembro de 2024, estendendo a compra contínua iniciada em novembro de 2024. A intensificação das aquisições ocorreu após os preços internacionais do metal caírem mais de 10% em junho, recuando de cerca de US$ 4.540 por onça para aproximadamente US$ 4.000.
Em contraste, as reservas cambiais da China diminuíram US$ 26 bilhões, ou 0,75%, totalizando US$ 3,4163 trilhões em junho. O órgão regulador atribuiu a redução às variações de preços de ativos e ao aumento de 2,3% do Índice do Dólar para 101,2 no período. O economista-chefe da China Minsheng Banking Corp. afirmou que a valorização do dólar foi impulsionada por expectativas de aumento de juros nos EUA e dados econômicos resilientes.
A tendência de acumulação de ouro é global. Uma pesquisa recente do Conselho Mundial do Ouro indicou que 45% dos bancos centrais planejam aumentar suas reservas nos próximos 12 meses, citando o metal como proteção contra a inflação e seu desempenho em crises.


