Pesquisas médicas investigam se a repetição de cabeceios em esportes como futebol pode causar alterações cerebrais, mesmo na ausência de concussão. Um balanço da Fifa mostra que 25 dos 215 gols da Copa do Mundo de 2026 foram marcados de cabeça, mas a ciência foca nos impactos subconcussivos.
A medicina esportiva analisa os impactos repetidos, focando em exames de imagem que observam a substância branca e a substância cinzenta do cérebro. Uma revisão sistemática e meta-análise, publicada em maio na revista Neuroradiology, analisou 13 estudos de ressonância magnética em jogadores de futebol. O trabalho concluiu que o cabeceio está associado a mudanças moderadas a grandes na integridade da substância branca, embora achados metabólicos sejam menos consistentes.
Em um estudo de 2024, pesquisadores da Universidade Columbia analisaram exames de 352 jogadores amadores. Entre os atletas que cabeceavam com mais frequência, observaram-se alterações na substância branca, especialmente perto dos sulcos cerebrais e no lobo frontal. Uma análise posterior identificou a região orbitofrontal como área de alteração ligada ao pior desempenho em testes de aprendizagem verbal.
Em ensaio clínico de 2025, jogadores adultos realizaram 20 cabeceios em 20 minutos sob controle. Os autores detectaram alterações sutis em exames de ressonância e aumento de proteínas sanguíneas. O neurocirurgião Andre Gentil, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que as evidências sugerem a necessidade de reduzir a exposição a esse trauma, principalmente em crianças e adolescentes.

