A arara-azul-grande foi reclassificada como Vulnerável à Extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A decisão, divulgada em junho, reflete a combinação de fatores que ameaçam a sobrevivência da espécie, como os grandes incêndios no Pantanal e a redução populacional.
A reclassificação não se deve a um único indicador, mas à análise conjunta de evidências. Segundo a bióloga Neiva Guedes, presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, dados de monitoramento apontam queda no sucesso reprodutivo e alterações no habitat após as queimadas. Ela afirmou que um grupo monitorado há mais de vinte anos reduziu cerca de 60% dos indivíduos em um dormitório tradicional.
A espécie é altamente especializada, dependendo de poucas espécies vegetais para se alimentar e de árvores específicas para reprodução. Essa dependência a torna sensível ao fogo, que destrói ninhos, ovos e áreas essenciais de abrigo. Além disso, a recuperação é lenta, pois a arara-azul-grande leva entre sete e nove anos para atingir a maturidade reprodutiva.
Apesar do retorno à lista, Neiva Guedes comentou que o trabalho de conservação realizado desde 1990 foi decisivo para que a espécie deixasse a ameaça em 2014. A nova classificação exige maior atenção de órgãos públicos e da sociedade, priorizando o combate a incêndios, a proteção do habitat e a redução do uso de agrotóxicos.

