A obra “Odisseia” de Homero influenciou profundamente a literatura ocidental, servindo como matriz para a jornada do herói. Os clássicos gregos moldaram estruturas narrativas que foram adotadas por autores como Dante Alighieri e James Joyce.
A estrutura épica de Homero, que narra a busca e os riscos de um personagem, foi reconhecida por estudiosos como Gilberto Schwartsmann. Este conceito, que se tornou popularizado como a “jornada do herói”, serviu de molde para diversos pilares da literatura mundial. Dante Alighieri, por exemplo, ecoou Homero ao estruturar a descida ao mundo dos mortos na “Divina Comédia”.
A influência se estendeu a Virgílio, que utilizou as atribulações de Ulisses para criar a “Eneida”, poema que liga a fundação de Roma. Luís de Camões também tomou o modelo para “Os Lusíadas”. Em releituras modernas, James Joyce transformou a narrativa em “Ulysses”, concentrando a trama em um único dia, 16 de junho. Margaret Atwood, por sua vez, promoveu uma releitura feminista em “A Odisseia de Penélope”.
A arquitetura narrativa da obra também é notável pelo uso do *in media res*, recurso que inicia a história no meio da viagem do herói. Guilherme Gontijo Flores explica que isso demonstra uma ideia moderna de que a experiência não é linear. Leonardo Antunes complementa que esse artifício, orgânico na “Odisseia”, é muito usado em filmes contemporâneos.

