O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga um esquema de corrupção que envolve mais de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole (IRM). A autarquia, criada em 2018 para planejar políticas públicas na Região Metropolitana, passou a administrar grandes volumes de recursos após mudanças legais e concessões de serviços.
O instituto, inicialmente vinculado à Casa Civil do governo estadual, tinha como missão coordenar o desenvolvimento integrado da Região Metropolitana em áreas como mobilidade e saneamento. O salto financeiro ocorreu em 2021, quando a autarquia passou a receber 0,5% da receita das contas de água e esgoto da Cedae, após a concessão dos serviços.
Em 2023, uma lei autorizou o IRM a executar obras e intervenções urbanas, atividade antes restrita às prefeituras. Essa ampliação de competências foi acompanhada de um crescimento expressivo nos gastos: em 2023, o valor era de R$ 7,3 milhões, e em 2024, saltou para R$ 161,1 milhões, segundo dados do MPRJ.
A investigação aponta que um grupo criminoso fraudava licitações e direcionava contratos para empresas específicas. A defesa de David Perini Vermelho, presidente do instituto em janeiro de 2023, afirmou que os contratos foram firmados pela gestão anterior e que os aditivos ocorreram “nos rigores da lei”.

