A relação entre consumo e identidade no Brasil é complexa, revelando que o desejo de pertencer impulsiona gastos que levam ao endividamento. Dados do Banco Central indicam que mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, um reflexo da cultura do parcelamento.
A autora, que investigou o tema no programa “Além da conta” entre 2014 e 2020, observou como o consumo preenche carências e busca por aceitação social. Ela relatou ter visto pessoas acampadas em frente a lojas na véspera da Black Friday, ilustrando a intensidade do desejo de aquisição.
Segundo o geógrafo Kauê Lopes dos Santos, o parcelamento funciona como uma forma desigual de inclusão ao consumo em bairros periféricos. Ele afirma que “o endividamento é uma condição crônica que aliena o futuro”.
O Banco Central informou que, em maio, a inadimplência atingiu recorde histórico, afetando a maioria das famílias. A autora aponta que a falta de educação financeira contribui para essa realidade, visto que o parcelamento é vendido como conquista.

