Assistir à peça “Viva a vida”, de Regina Casé, levou o autor a refletir sobre a relação entre a vida moderna e a natureza. A obra levanta questões sobre o senso de superioridade humana e a disputa de atenção entre o silêncio e as notificações digitais.
A experiência teatral suscitou a percepção de que a sociedade contemporânea divide sua atenção entre elementos naturais e inteligências artificiais. O texto aponta que a cultura atual reflete um sentimento de superioridade, onde se discute quem merece mais, como se o ser humano fosse o centro da criação. Essa visão é contrastada com a perspectiva de que a Terra é um “grãozinho azul perdido numa imensidão de galáxias”.
O autor critica a invenção da pressa e das hierarquias, citando que a floresta não possui pressa. Há quem ainda defenda que um saber ou uma vida valem mais que outros, colocando ciência e sagrado em competição. Contudo, povos indígenas e cosmologias africanas entendem que gente, rio, bicho e planta fazem parte da mesma conversa.
A reflexão se estende à intimidade com o meio ambiente. O texto afirma que se conhece mais celebridades do que árvores, indicando uma falta de conexão. Ailton Krenak é citado ao lembrar que é preciso “adiar o fim do mundo”, o que exige responsabilidade compartilhada. O autor conclui que a tecnologia deve caminhar ao lado da ancestralidade, e não substituí-la.

