A disputa territorial entre China e países do Sudeste Asiático voltou à atenção internacional após Filipinas e Japão iniciarem negociações sobre Zonas Econômicas Exclusivas (ZEE). A China reagiu à iniciativa, pois ela toca em áreas que o país considera parte de seu território, reacendendo as reivindicações sobre o Mar do Sul da China.
As ZEEs, definidas pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos), estendem-se por 370,4 km da costa de nações oceânicas. A China, contudo, adota uma interpretação própria, baseada em exigências históricas que cobrem quase toda a região, conforme sua “Linha de 10 traços” apresentada em 2023. Essa demarcação atualizou a “Linha de 9 traços”, vigente desde a década de 1930, e inclui as águas ao redor de Taiwan.
A região é estratégica, pois por ela passa cerca de um terço do comércio anual global, além de ser importante para a pesca e exploração de petróleo. Em 2016, as Filipinas obtiveram uma vitória contra a China no Tribunal Permanente de Arbitragem em Haia, que julgou as reivindicações chinesas sem base legal. Apesar disso, o presidente chinês declarou que a soberania chinesa não seria afetada pela decisão.
Com o anúncio das negociações bilaterais, a China intensificou operações marítimas. A disputa com Filipinas se soma à tensão entre Pequim e o governo japonês, que tem fortalecido laços com as Filipinas e planeja vender arsenais militares. A Rússia também manifestou apoio a declarações chinesas contra os movimentos militares japoneses.

