Trilhões de seres marinhos realizam a maior migração do planeta, movendo-se diariamente das profundezas para a superfície para se alimentar. O fenômeno ocorre na zona crepuscular do oceano, entre 200 e 1.000 metros de profundidade, e é crucial para o clima global.
O movimento diário concentra a maior parte da biomassa de peixes do planeta, correspondendo a cerca de 95% do total, na região onde a luz solar desaparece. A descoberta desse ciclo ocorreu inesperadamente durante a Segunda Guerra Mundial, quando militares notaram variações no fundo do mar com o uso de sonar.
Os principais participantes incluem copépodes, pequenos crustáceos, e peixes-lanterna. Essa migração transporta cerca de seis gigatoneladas de carbono da superfície para as profundezas anualmente, um volume superior ao dobro do que os carros do mundo emitem. Esse carbono pode permanecer armazenado por séculos.
Apesar da importância ecológica, a zona mesopelágica enfrenta ameaças. O derretimento do gelo marinho altera a penetração da luz, e a indústria alimentícia busca explorar espécies como o peixe-lanterna. Em resposta, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) aprovou a Moção 035 em outubro de 2025, solicitando uma pausa preventiva em novas atividades pesqueiras ou industriais na área.

