Representantes do governo federal e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) não chegaram a um acordo sobre a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos. O impasse ocorre sobre alternativas ao PL 5.122/2023 e uma proposta de medida provisória do Ministério da Fazenda.
A reunião, realizada na terça-feira, 7 de julho de 2026, discutiu condições de refinanciamento, mas os pontos de divergência persistem. O governo apresentou uma medida provisória para substituir parte do texto aprovado pelo Senado. Contudo, há discordância sobre critérios de enquadramento dos produtores, taxas de juros, prazo de carência, montante de recursos e o custo fiscal da operação.
A abrangência da medida também gera impasse. O Executivo propõe direcionar o benefício apenas a produtores com perdas causadas por eventos climáticos nas últimas safras. Os congressistas do agronegócio sugerem uma solução mais ampla, que contemple também produtores endividados por fatores econômicos, como aumento de custos de produção e queda de renda.
O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta, afirmou que o Executivo busca uma solução, mas considera inadequada a ampliação da renegociação para todos os produtores devido ao impacto fiscal. O Ministério da Fazenda estima que o formato atual do projeto aprovado pelo Senado gere impacto de cerca de R$ 140 bilhões em dez anos, cálculo contestado pela bancada ruralista. O deputado Silvio Costa Filho comentou que as equipes técnicas trabalham para aproximar as posições, visando uma proposta consensual ao presidente da Câmara, Hugo Motta.

