O Supremo Tribunal Federal (STF) bloqueou até R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A decisão, fundamentada em investigação da Polícia Federal, aponta indícios de que o parlamentar utilizou um deputado para negociar emendas, visto que Cunha não possui mandato eletivo desde 2016.
A determinação do ministro Flávio Dino baseou-se em apuração de desvio de emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. As conversas que embasaram o bloqueio foram extraídas do celular de servidora da Câmara, apontada como operadora do esquema de manipulação de emendas.
Um trecho dos diálogos, ocorrido em setembro de 2025, mostra Cunha citando o deputado Gilberto Abramo. Em mensagem enviada à servidora, Cunha expressou insatisfação com a atribuição de uma emenda a outro parlamentar, solicitando um ofício de Abramo para comprovar a autoria.
O ministro Dino declarou que o cenário narrado causa estranheza, pois uma suposta emenda de titularidade de Abramo estava sendo tratada por Cunha. Ele afirmou que o fato de outros parlamentares terem sido alocados como solicitantes agrava o processo de fraude de encaminhamento e desvio de recursos.

