A Copa do Mundo da FIFA, realizada nos Estados Unidos em junho, não concretizou a projeção de criação de 185 mil empregos temporários nos setores de lazer e hotelaria. O último relatório de empregos indicou que qualquer recuperação vista em maio foi anulada em junho, deixando o setor com cerca de 21 mil postos de trabalho nos dois meses.
A expectativa de crescimento no emprego foi estabelecida pela FIFA antes do torneio, que atraiu mais de um milhão de torcedores para onze cidades-sede. O evento deveria aliviar o setor turístico, pressionado por fatores como o endurecimento das fronteiras e o aumento dos preços dos combustíveis. Contudo, altos custos de acomodação e ingressos geraram preocupações sobre o aumento de demanda.
Economistas apontam barreiras externas como fator limitante. Eli Nir, economista da TD Securities, disse que tensões geopolíticas e o aumento de passagens aéreas restringiram viagens internacionais. Embora os hotéis tenham registrado receita recorde por quarto disponível (RevPAR) entre 21 e 27 de junho, essa melhora ocorreu pelo aumento das diárias, e não pelo crescimento do número de hóspedes, segundo dados da CoStar.
Shruti Mishra, economista do Bank of America, explicou que a tendência de contratações decepcionante pode indicar que empresas estão priorizando horas extras para funcionários atuais em vez de abrir novas vagas. Pesquisas anteriores da American Hotel & Lodging Association já mostravam reservas abaixo do esperado para 80% dos entrevistados nas cidades-sede.
Em locais mais próximos aos estádios, houve maior aumento em contratações de alimentação e entretenimento. Em contraste, alguns empregadores mais distantes relataram dificuldades, optando por não expandir o quadro de pessoal devido à baixa expansão da atividade turística local.

