Brasília, conhecida como Capital do Rock, debate se ainda mantém o título após décadas de sucesso. Gestores e artistas apontam que a cena atual enfrenta um período de transformação, com desafios na estrutura de shows e no consumo de música pelas novas gerações.
A ascensão do rock na capital ocorreu nos anos 1980, período em que bandas como Legião Urbana e Capital Inicial usaram a música para expressar críticas sociais e políticas. Diferente de outros centros, a cena local se desenvolveu em espaços autônomos, como as superquadras do Plano Piloto.
Miguel Galvão, gestor da Infinu Comunidade Criativa, declarou que a cena candanga atravessa uma fase de entressafra de bandas, citando os impactos da pandemia. Ele afirmou que o título de Capital do Rock “virou um bordão localista muito distante do que de fato acontece na realidade atual”.
Kenji Matsunaga, músico, complementou que, apesar da qualidade dos nomes atuais, falta apoio do público e estrutura adequada para o crescimento dos projetos. Ele disse que “o que movimenta e constrói nossas bandas é o cenário independente, não os grandes festivais”.
Outro obstáculo apontado é a mudança no comportamento do público. Miguel Galvão observou que as novas gerações focam em artistas individuais, como no trap, e que há dificuldade em atrair público para eventos, somada a problemas de mobilidade no Distrito Federal. Guizão, cantor, acrescentou que a falta de investimento da mídia e do público prejudica a competitividade das produções locais.

